Fala-nos do amor..

Então, Almitra disse:

‘Fala-nos do amor’

“Quando o amor vos acenar, segui-o, embora seus caminhos sejam árduos e íngremes.

E quando suas asas vos envolverem, entregai-vos; Embora a espada oculta em sua plumagem possa ferir-vos.

E quando ele voz falar, acreditai nele; Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento do norte devasta o jardim.

Pois ainda que o amor vos possa coroar, ele também vos pode crucificar. Ainda eu seja para vosso crescimento, também contribui para podar-vos.

Ainda que se eleve á vossa copa e acaricie vossos ramos mais tenros que tremulam ao sol, também desce até vossas raízes e as desprende da terra.

Qual feixe de milho, acolhe-vos em seu seio. Ele vos debulha a fim de expor vossa nudez. Ele vos destitui da palha com seu crivo. Ele vos tritura até atingirdes a brancura. Ele vos amassa até eu estejais prontos; E então vos submete ao seu fogo sagrado, para que vos transformeis no puríssimo pão do banquete divino.

Todas essas coisas o amor fará por vós a fim de que vos torneis sabedores dos segredos de vossos corações, e que, imbuídos desse saber, vos transformeis num fragmento do coração da Vida.

Mas se, por receio, desejais buscar somente a paz e o gozo do amor, É melhor cobrir vossa nudez, e abandonai a eira do amor, Para que possais entrar no mundo sem estações, onde podereis rir, mas não todo o vosso riso, e chorar, mas não todo o vosso pranto.

O amor dá de si apenas, e nada recebe senão de si próprio.

O amor não possui nem quer ser possuído;

Pois o amor ao amor se basta.

Quando amardes, não deveríeis dizer: ‘Deus está em meu coração’, mas sim: ‘eu estou no coração de Deus.’

E não pensai que seríeis capazes de determinar seu curso, pois o amor, se considerar-vos dignos, direcionar-vos-á.

O amor não tem outro desejo senão o de atingir sua plenitude.

Mas se amardes e necessitardes ter desejos, que sejam estes:

O de vos tornardes a corrente de um riacho a entoar seu canto para a noite;

O de conhecerdes a dor de tanta ternura;

O de serdes feridos por vossa própria compreensão do amor;

E sangrardes de bom grado e alegremente;

O de despertardes ao alvorecer com o coração alado e agradecerdes por mais um dia de amor;

O de repousardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor;

O de retornardes a casa ao anoitecer, plenos de gratidão;

E então adormecerdes com uma oração para o bem-amado em vossos corações e uma cantiga de louvor em vossos lábios.”

Khalil Gibran

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