A criança deve ser respeitada na sua integridade física e moral. Não ao abuso sexual infantil!

abuso-e-a-exploracao-sexual-de-criancas-e-adolescentes-1368185622-jpgO abuso sexual às crianças acontece, em sua maioria, na família, principalmente através de pai, primo mais velho, padrasto, irmão ou outro parente, e depois, de pessoas ligadas a esse núcleo.

Nos casos de abuso sexual a criança é forçada fisicamente ou coagida verbalmente a participar da prática sexual sem ter ainda sua capacidade emocional e/ou cognitiva suficientemente desenvolvida para consentir, negar ou julgar o que está acontecendo.

Abuso sexual – O abuso sexual ocorre em todas as classes sociais. E é definido como qualquer conduta sexual que ocorra com uma criança por parte de um adulto ou por outra criança mais velha. Em geral entre 3 e 4 anos mais velha, já se fala em abuso. Pode ocorrer por contato oral-genital (na criança ou no adulto), o esfregar/roçar os genitais do adulto na criança, toques nos genitais da criança ou coerção para que a criança toque os genitais do adulto ou de outra criança mais velha ou adolescente, ou chegar à penetração vaginal ou anal na criança. Mas outras atitudes como mostrar os genitais a uma criança, incitá-la a ver material pornográfico, ou utilizá-la para elaboração de material de natureza pornográfica também é crime.

Assusta ver que pessoas tão próximas possam ser autoras de crimes contra crianças. Mais assustador ainda é sabermos que o número de abusos sexuais em crianças denunciado nas estatísticas, é bem inferior à realidade dos fatos. Isso ocorre pois a maioria desses casos não é conhecida. A criança têm medo de contar o que aconteceu, pois em geral são ameaçadas por quem abusou e temem represálias, principalmente se for da família. Elas ficam confusas e temerosas de contar o fato com medo de serem consideradas culpadas.

Há também o medo que a família desintegre-se. Apesar da agressão do abuso, esse núcleo familiar é a única referência de sua vida.

O dano emocional e psicológico resultante dessas experiências tende a ser muito prejudicial à vida futura dessa criança. Poderão surgir problemas sérios de comportamento como dificuldade em estabelecer vínculos de confiança e relações estáveis com outras pessoas.

Para compreender melhor o abuso sexual, suas consequências e como ajudar a vítima a sair da repetição, transcrevo este artigo que foi inicialmente escrito por Jacques e Claire Poujol, conselheiros conjugais e familiares e traduzido por Mirian Giannella.

Sair [da repetição, da sideração, da dissociação, da paralisia].
De vítima à sujeito de direitos!

Que o saiba ou não, alguém próximo a você já sofreu e se tornou vítima de abuso sexual. Pode-se perceber que em várias dificuldades que muitas pessoas encontram, está aí a sua origem. Para estes homens e estas mulheres mortificados, haverá sempre o “antes” e o “depois” do abuso.

A nossa sociedade prefere ignorar este problema, atenuar a gravidade, ou mesmo nega-la totalmente. Ou então, cheio de boa vontade, mas também de incompetência, propõe-se às vítimas “soluções” que fazem apenas agravar o traumatismo sofrido.

Este artigo responde as perguntas:
• O que se entende por abuso sexual?
• Por que a vítima tem tanta dificuldade para falar do que sofreu?
• Quais estragos o abuso sexual provoca?
• Como ajudar a vítima a sair da repetição?
• Quem são os abusadores?

O que se entende por abuso sexual?

1. Um constrangimento ou um contato – Um abuso sexual é qualquer constrangimento (verbal, visual ou psicológico) ou qualquer contato físico, por qualquer pessoa que se serve de uma criança, adolescente ou adulto, com o propósito de uma estimulação sexual, a deles ou a de uma terceira pessoa.
Contato físico é, certo, mais grave que um constrangimento verbal. Mas é necessário saber que qualquer abuso constitui uma violação do caráter sagrado e da integridade da pessoa humana e provoca sempre um traumatismo.

O constrangimento verbal designa: uma solicitação sexual direta; o uso de termos sexuais; a sedução sutil; a insinuação. Tudo isto em relação a uma pessoa que não o deseja ouvir.

O constrangimento visual refere-se: ao emprego de material pornográfico; ao olhar que insiste sobre certas partes do corpo; ao fato de se despir, de se mostrar nu, ou de praticar o ato sexual à vista de alguém. Aqui também, sem que a pessoa o deseje.

O constrangimento psicológico designa: a violação da fronteira entre o relacional e o sexual (um interesse excessivo pela sexualidade de seu filho/a) ou entre o físico e o sexual (lavagens repetidas; um interesse muito marcado pelo desenvolvimento físico de um adolescente).

O contato físico pode ser: grave (beijar, contato do corpo através das roupas, que seja pela força ou não, com ou sem pressão psicológica ou afetiva), muito grave (contato ou penetração manuais; simulação de relações sexuais, contato genital, com ou sem violência física), ou gravíssimo (violação genital, anal ou oral, obtida de qualquer maneira que seja, pela força ou não).

2. A estratégia do abusador

Um abuso não é o fato do acaso por parte de quem o comete. Sendo um perverso, este premedita e organiza a relação esperando o momento em que seus fantasmas viciosos lhe parecerão realizáveis. A vítima ignora naturalmente tudo isto.

A estratégia perversa comporta em geral quatro etapas:
a. O desenvolvimento da intimidade e do caráter confidencial, privilegiado, da relação. Esta fase, mais ou menos longa (de algumas horas ou anos), visa a colocar em confiança a futura vítima que não duvida de nada.

b. Uma interação verbal ou um contato físico aparentemente “adequado” com a pessoa que vai ser abusada (confidências de caráter sexual, carícias nos cabelos, abraços amigáveis). A pessoa (criança) não tem medo, por que na maioria dos casos, seu futuro abusador é um membro da família (pai, tios, primos) ou amigo próximo (alguém que frequenta muito a casa dos seus pais). Pequena porcentagem dos abusos são cometidos por um desconhecido.

c. Uma interação sexual ou um contato sexual – É a fase do abuso propriamente dito. Aqui, a vítima reencontra-se na mesma situação que um coelho que atravessa uma estrada à noite e é capturado pelos faróis de um automóvel: petrificado, paralisado, siderado, incapaz de reagir, deixa-se esmagar pelo automóvel. O abusador está consciente do que faz com sua vítima.

d. A continuação do abuso e a obtenção do silêncio da vítima pela vergonha, culpa, ameaças ou privilégios. Este silêncio raramente é quebrado. O abuso permanece um segredo absoluto durante muito tempo, às vezes por toda a vida.

Guardando o silêncio, a vítima faz-se, contra a sua vontade, de cúmplice do abusador, uma vez que a única coisa que ele teme é de ser denunciado.

O fato de tornar-se assim, bem involuntariamente, seu aliado, reforça o desprezo que tem por si própria e a sua culpabilidade.

É preciso esclarecer que uma pessoa sexualmente abusada não é nunca culpada nem responsável pelo abuso. Ela sequer podia adivinhar que as duas primeiras etapas eram apenas uma estratégia do abusador.

Uma pessoa que está sob a dominação de um abusador só faz parar os abusos com a denúncia e revelando o que sofreu.

Ora, falar, para ela, é muito difícil, por várias razões.

Por que uma vítima tem tanta dificuldade em falar do que sofreu?

1. Leva, às vezes, muito tempo para realizar que foi abusada
O tempo não conta para o inconsciente, ele está como que parado para a vítima: é, na maioria das vezes, o aparecimento de sintomas como depressão ou perturbações sexuais que a levará a deixar o seu sofrimento emergir na superfície e aceitar falar. É o primeiro passo para a cura.

Mas falar deste traumatismo, tomar consciência desta verdade: “Fui abusada”, pode ser um choque terrível. É dolorido descobrir  a amplitude do drama que viveu e compreender a extrema repugnância que provoca admitir que o seu corpo e a sua alma foram devastados. Seria mais fácil esquecer, não ter nunca vivido aquilo, que muitas pessoas se refugiam na recusa: “Aquilo não pode ter me acontecido.”

A pessoa será incentivada  a falar se acreditarem no que diz (tem absolutamente necessidade de sentir que acreditam nela) e deve-se evitar certas frases destrutivas como:
– Ele cometeu só um erro, como fazemos todos.
– Aconteceu só uma vez, afinal.
– É tempo de virar a página.
– Já faz muito tempo que passou.

Afinal, seu corpo e sua alma foram devastados, é preciso respeitar sua dor e admitir a situação como grave, não disfarçando-a, pois isso não ajuda a sair desse caos emocional,  se possível,  tentar se colocar no lugar do outro e a disposição para ajudar.

2. Sente-se culpada – Em seu foro íntimo, sem mesmo declarar abertamente, a pessoa pensa:
• Sou também culpada? Senti prazer?
• Poderia ter evitado?
• Colocado na minha situação, um outro teria podido se opor, se debater, fugir?

Porém:
• Quem detinha o poder (parental, espiritual, moral, organizacional, físico, psicológico)?
• Quem era o adulto? O marcador social? O referente?
• Quem era o instigador, o organizador dos abusos?
• Quem poderia fazer cessar?

A culpabilidade está ligada à defasagem entre a vivência passada (e as razões pelas quais a vítima não pôde impedir: a sua tenra idade, sua ignorância, sua total confiança) e a sua vivência atual, quando já é mais velha, menos ignorante, menos ingênua e já sabe se proteger. Crê-se culpada porque olha os acontecimentos passados com os olhos do adulto prevenido que é hoje. Ora, na época, não possuía as defesas necessárias para impedir o abuso.

Separar-se do agressor – É de fundamental importância sair da culpa, perceber que houve crime, invasão de privacidade, abandono e negligência, e aprender que os lugares já estão dados há milênios, no mundo desértico que eles criam, e aprender a se defender e se situar na sua história.

Qual é o ponto fraco do qual se serviu o perverso, por exemplo, uma necessidade de ternura completamente legítima, uma confiança cega, e o crime que cometeu, se aproveitando desta necessidade legítima de afeição ou da confiança, para saciar seus desejos imorais.

Desligar estes dois elementos é frequentemente um momento de verdade e um alívio para a pessoa, que faz o seu segundo passo para a cura quando não se sente mais responsável. [Nomear o crime, o criminoso e a arma do crime tem o efeito de separar a vítima do agressor e fazer com que a vítima restaure a sua dignidade de pessoa humana. É verdadeiramente reparador.]

Mas o caminho será ainda longo até cicatrização da ferida.

3. Falar pode custar-lhe caro – Cada vez que a pessoa abusada mergulha no horror do seu passado, paga um preço muito elevado. Tentando “esquecer” o abuso, virar a página, tinha construído certo equilíbrio, por exemplo, com os seus parentes. Se decidir fazer explodir a verdade, vai desorganizar este equilíbrio fictício e suscitar pressões dos parentes. Encontra-se sempre falsos “bons conselheiros” preocupados mais com a sua própria tranquilidade e pelo que dirão, defensores dos abusadores, que vão acusa-la de mentir ou exagerar, de despertar o passado e incita-la-ão a esquecer, ou mesmo “a perdoar”; o cúmulo é que corre o risco até mesmo de ser responsabilizada pelo abuso.

É preciso avaliar o preço da luta que deverá efetuar para sair do lamaçal do abuso sexual e realizar que o seu desejo de sair do sofrimento será ainda negado por aqueles que deveriam mais protege-la: a família ou os responsáveis pelas instituições.

É necessário notar que quando o abusador faz parte de uma instituição, qualquer que seja, esta decide frequentemente, por medo do escândalo, “acoberta-lo” e, por conseguinte, permanecer na recusa do abuso, mais do que reconhecer publicamente a existência de um perverso sexual na instituição.

Há um consenso social de reprovação à pessoa que tem a coragem de remexer nestas coisas imundas: que ela continue como morta viva, não é grave. O mais importante, é que se cale.

4. Sofre de vergonha – Sartre disse que a vergonha é “a hemorragia da alma”. Um abuso sexual marca a pessoa ao ferro e fogo, a suja, a leva a esconder-se dos outros. A vergonha é uma mistura de medo da rejeição e cólera para com abusador, que não ousa se exprimir.

O sentimento justo que deveria provar é a cólera. Provar este sentimento liberador ajuda-a a sair da vergonha. É necessário, às vezes, tempo para que chegue a exprimir a sua indignação face à injustiça que sofreu. Esta expressão da cólera poderá fazer-se seja de maneira real, frente ao culpado, ou, se não for possível, de maneira simbólica. Em todos os casos cabe à vítima decidir. A vergonha está ligada ao olhar que a vítima leva sobre si própria; vê-se como suja por toda a vida. É o seu olhar sobre si mesma que deverá se alterar, e isto alterando a sua maneira de pensar.

5. O desprezo – Sentindo-se envergonhada, a pessoa abusada tem duas soluções: desprezar-se a si própria ou desprezar o abusador e os semelhantes. Nos dois casos, o resultado é o mesmo: autodestruição, porque o ódio de si ou o ódio do outro são ambos destrutivos.

O desprezo por si própria pode referir-se ao seu corpo, a sua sexualidade, a sua necessidade de amor, a sua pureza, a sua confiança.

Este desprezo de si tem quatro funções: atenua a sua vergonha, asfixia as suas aspirações à intimidade e à ternura (desprezar-se anestesia o desejo), dá-lhe a ilusão de dominar o seu sofrimento e evita-lhe que procure a cura do seu ser.

Quando o desprezo por si mesma é muito intenso, pode levar à bulimia, à violência contra si e ao suicídio; nestes três casos, a pessoa pune o seu próprio corpo porque ele existe e tem desejo.

6. O verdadeiro inimigo – Se perguntar a uma pessoa que sofreu um abuso sexual qual é o seu inimigo, responderá sem dúvida: “É o culpado do abuso.” O que lhe parece evidente.

A vítima tem escolha: ou combate, cultivando o seu ódio para com o abusador, ruminando uma vingança contra ele; ou foge, procurando esquecer, endurecendo-se para não mais sofrer, fechando-se em si mesma, passa a ser insensível, de maneira a não mais sentir nem emoção nem desejo.

Mas estas duas soluções são vãs, porque o inimigo não é o abusador. Certamente, representa um problema, mas a boa notícia é que não é o problema essencial.

O verdadeiro adversário é a determinação da pessoa em permanecer no seu sofrimento, a sua morte espiritual e psíquica e a recusar voltar a viver.

O inimigo reside, por conseguinte, paradoxalmente, na própria vítima!

Este terceiro passo para a cura é sem dúvida o mais difícil de cruzar. A pessoa deve compreender que tem na frente dela a vida e a morte, e que pertence apenas à ela permanecer na morte ou escolher viver.

Existem três grandes estragos que o abuso sexual produz na vida da vitima e que deverão ser reparados.

Estes estragos constituem umas torrentes tumultuosas que devastam a alma, e que inclui: o sentimento de impotência, o de ter sido traída e o sentimento de ambivalência, bem como vários outros sintomas.

1. O sentimento de impotência – O abuso sexual foi imposto à vítima. Que tenha se produzido uma vez ou cem vezes, com ou sem violência, não altera em nada o fato de que foi privada da sua liberdade de escolha.

Este sentimento provem de três razões:
Não pôde alterar a sua família disfuncional, se se trata de um incesto. Os seus parentes não a protegeram como deveriam, a sua mãe ou outro adulto responsável, nada viram ou fingiram nada ver.

Que o abuso foi acompanhado de violência ou não, que haja dor física ou não, a vítima não pôde escapar, o que cria nela fraqueza, solidão e desespero. Além disso, o culpado serve-se da ameaça ou da vergonha para reduzir ao silêncio e recomeçar em toda impunidade, o que aumenta a sua impotência.

Não chega a pôr um termo ao seu sofrimento presente. Só a decisão de suprimir-se anestesiaria a sua dor, mas não pode resolver-se, então continua a viver e a sofrer.

Este sentimento de impotência provoca graves prejuízos – A pessoa abusada perde a consideração por si própria, duvida dos seus talentos e crê-se medíocre. Abandona qualquer esperança.
Insensibiliza a sua alma para não mais sentir a raiva, o sofrimento, o desejo ou a alegria. Esconde e repele no seu inconsciente as lembranças horríveis da agressão sexual.
Pela força de renunciar a sentir a dor, torna-se como morta. Perde o sentimento de existir, parece estrangeira a sua alma e a sua história.
Perde o discernimento relativo às relações humanas, o que explica que as vítimas de abusos recaem constantemente nas garras de perversos, o que reforça o seu sentimento de impotência.

2. O sentimento de ter sido traída – Muitas pessoas ignoram o nome dos onze outros apóstolos, mas conhecem Judas, o traidor. Por quê? Porque a maior parte das pessoas considera que nada é mais odioso do que ser traído por alguém que se supunha amigo e respeitoso.

A pessoa abusada sente-se traída não somente pelo abusador em quem tinha confiança, mas também pelos que, por negligência ou cumplicidade, não intervieram para fazer cessar o abuso.

As consequências da traição são: uma extrema desconfiança e a suspeita, sobretudo em relação às pessoas mais amáveis; a perda da esperança de ser próxima e íntima de outro e de ser protegida no futuro, visto que os que tinham o poder não o fizeram; a impressão que se foi traída, foi porque mereceu, devido a uma falha no seu corpo ou no seu caráter.

3. O sentimento de ambivalência – Consiste em sentir duas emoções contraditórias ao mesmo tempo. Aqui, a ambivalência gravita ao redor dos sentimentos negativos (vergonha, sofrimento, impotência) que simultaneamente, às vezes, foram acompanhados de prazer, que seja relacional (um cumprimento), sensual (uma carícia), ou sexual (tocar nos órgãos), nas primeiras fases do abuso.

O fato que o prazer, às vezes, seja associado ao sofrimento provoca prejuízos consideráveis: a pessoa sente-se responsável por ter sido abusada, já que “houve” prazer; a lembrança da agressão pode retornar nas relações conjugais; não chega a desabrochar-se na sua sexualidade que é para ela demasiado ligada à perversidade do abusador; controla e mesmo proíbe-se o prazer e, por conseguinte, o seu desejo sexual.

É normal sentir prazer nas palavras e nos gestos “de ternura”. É a natureza que deu ao ser humano esta capacidade de sentir prazer.

O que não é normal é a perversão dos que premeditaram estas atitudes afetuosas para fazer cair uma presa inocente na sua armadilha. É ele o único responsável.

Pensa-se em eventual abuso sexual se a pessoa:
– Sofre de depressões repetidas.
– Apresenta perturbações sexuais: falta de desejo, asco, frigidez, impotência, temor ou desprezo pelos homens ou mulheres, medo de casar-se, masturbação compulsiva. Na criança, esta perturbação do autoerotismo, assim como algumas enureses, podem fazer pensar em abuso sexual.
– Destrói-se pelo uso abusivo de álcool, de droga ou de alimento. A obesidade, em especial, permite às jovens ou mulheres que foram violadas se tornar, inconscientemente, menos atrativas e se proteger assim contra outra agressão.
– Sofre de dores de barriga, de infecções ginecológicas repetidas.
– Um estilo de relação com os outros muito característico: ou é demasiado agradável com todos, ou é inflexível e arrogante, ou por último é superficial e inconstante.

Pensa-se em eventual abuso sexual se a criança apresenta:

-Alterações bruscas no comportamento, no apetite ou no sono;
– Desejo repentino da criança em se manter isolada, evitando contato com amiguinhos e familiares;
– A criança se mostrar agitada, muito incomodada e perturbada quando há possibilidade de ficar no mesmo local com uma determinada pessoa;
– Medo desproporcional frente à necessidade de um exame físico;
– Começar a achar que têm o corpo sujo ou contaminado;
– Interesse excessivo ou evita contato com seus genitais;
– Rebeldia, agressividade excessiva;
– Podem chegar a um comportamento suicida ou de automutilação.

Como ajudar a vítima a voltar à viver

Esta deverá cessar de ouvir as vozes internas que a mantém na culpabilidade e vergonha e se pôr a escuta da voz da verdade, que a conduzirá para a libertação.

Deverá também abandonar as vias sem saídas que pessoas bem intencionadas, mas incompetentes lhe propõem: negar o abuso, minimizá-lo, esquecer, perdoar o culpado sem que este se arrependa seriamente, virar a página, parar de reclamar, etc.

A via que leva ao bem-estar compreende duas etapas: olhar a realidade de frente, e decidir viver.

1. Olhar a realidade de frente
A pessoa deverá reencontrar as lembranças do abuso, admitir os estragos e gradualmente sentir os sentimentos adequados.

a. Reencontrar as lembranças do abuso – A vítima prefereriria esquecer, de tanto que a enoja ou a terrifica. Ou então, fala friamente como se fosse de uma outra pessoa que se trata. Mas, esta recusa é um obstáculo à cura. O abuso não deve ser apagado, mas nomeado. Assim, com muito tato, incentivar a lembrar do passado, às vezes muito remoto, porque só um abcesso esvaziado pode cicatrizar. O retorno das lembranças repelidas vai se fazer progressivamente. O inconsciente da pessoa colabora ativamente por meio de sonhos, ou imagens que lhe vem ao espírito. Certos acontecimentos fazem também reaparecer os traumatismos esquecidos, por exemplo: um encontro com o abusador, uma gravidez, a menopausa, um outro abuso, o fato de que um de seus filhos atinja a idade que tinha quando foi abusada, o fato de reencontrar-se nos lugares da agressão, ou o falecimento do culpado.

b. Admitir os estragos – Este regresso penoso no passado vai permitir-lhe admitir as duras verdades seguintes:
• Fui vítima de um ou vários abusos sexuais. É um crime contra o meu corpo e contra a minha alma.
• Sendo vítima, não sou responsável deste crime, que só pude sentir.
• Em consequência destes abusos, sofro de sentimentos de impotência, de traição e de ambivalência.
• O meu sofrimento é intenso, mas a cicatrização é possível, se admitir que houve ferida. Esta cicatrização levará tempo.
• Não devo envolver o meu passado com um véu de segredo e de vergonha; mas também não sou obrigada a falar a qualquer um.

c. Sentir os sentimentos adequados – A culpabilidade (que é um sentimento de extorsão muito frequente), a vergonha, o desprezo, a impotência, o ódio, o desespero, pela sua própria expressão vão sendo gradualmente substituídos por sentimentos mais amenos que são como a cólera para com abusador e os seus cúmplices, e a tristeza face aos estragos sofridos. Esta tristeza não deve levar à morte, ao desespero, mas à vida, ou seja a uma fé, uma esperança e um amor renovados.

2. Decidir voltar à vida
Por que uma vítima de abuso sexual deveria decidir voltar a viver, depois de tudo o que sofreu e sofre ainda? Simplesmente porque é melhor para ela escolher a vida e não a morte.

Escolher viver significará para ela:
a. Recusar estar morta – A vítima acha normal viver com um corpo e alma mortos; paradoxalmente, isto lhe permite sobreviver não se arriscando mais a sentir alegria ou dor.

b. Recusar desconfiar – A vítima desconfia dos seres humanos. Uma mulher violada, em especial, vê todo “macho” como “o mal”. Deverá aprender a transformar a sua desconfiança para com os homens em vigilância, o que é muito diferente.

c. Não mais temer o prazer e a paixão – Estes dois elementos a reenviam ao drama que sofreu, então ela foge. Ao faze-lo, priva-se destes dois dons. Sendo vítima do desejo (perverso, mas desejo do mesmo modo) de alguém, “lança o bebê com a água do banho”, ou seja rejeitando o abuso que sofreu, rejeita ao mesmo tempo qualquer desejo, até mesmo o seu. Deve realizar que não é porque alguém teve um desejo perverso para com ela que deve doravante renunciar ao seu próprio desejo.

d. Ousar amar de novo – Deverá progressivamente renunciar às suas atitudes autoprotetoras e o seu fechamento em si mesma para provar de novo a alegria de amar os outros e de estabelecer relações calorosas e seguras.

Deixará a sua carapaça para reencontrar um coração terno, capaz de correr o risco de amar aqueles que encontra. Abandonará as suas defesas, o que não quer dizer que não se cercará de proteções. Uma proteção não é uma defesa.
Descobrirá que, se é verdade que uma ou várias pessoas a traíram, a grande maioria é digna de confiança.

A revelação do abusador

1. Quem são?
Na sua grande maioria são jovens pessoas ou homens provindos de todas as classes da sociedade e de todos os meios. Na maior parte das vezes, fazem parte do ambiente da vítima: um colega, um vizinho, um animador de jovens, uma babá, um professor, um proprietário, um colega de trabalho, um padre, etc.

Muito frequentemente são também membros da família: o pai, o tio, o avô, o sogro (cada vez mais frequentemente devido ao aumento dos rematrimônios e das famílias expandidas), o irmão, o meio-irmão ou o quase irmão, o cunhado, o primo, etc.

Fala-se então de incesto ou abuso sexual intrafamiliar.

Trata-se, mais raramente, de uma pessoa desconhecida da vítima.

É necessário notar que 80% dos agressores foram eles mesmos vítimas de abusos no passado, o que não o desculpa de modo algum, mas pode explicar em parte o seu comportamento.

2. A Revelação
Uma vítima tem muita dificuldade para denunciar o seu agressor; revelará mais facilmente o abuso em si. No entanto, esta denúncia tem um grande alcance terapêutico e é necessário incentivar a quebrar o silêncio. Uma vez dito à outro, a palavra torna-se inter-dita e não mais interditada, como queria o perverso. Mas esta denúncia frequentemente é mal aceita pela sociedade. Enquanto uma pessoa sexualmente abusada não denunciar o culpado, é considerada como vítima. Mas o dia em que decide se referir à Justiça, consideram-na então como culpada de acusar alguém, e o crime cometido para com ela vai ser negado.

É por isso que, por exemplo, a grande maioria das mulheres violadas, se resignam a permanecer vítimas por toda a vida e, por conseguinte, a calar-se por medo de ser acusada do crime que denuncia. Ora, nunca deveriam hesitar a devolver o peso do crime à quem pertence: ao violador.

É necessário, no entanto, saber que, se denunciar tem um efeito terapêutico, o processo judicial é longo, penoso e dispendioso. Os interrogatórios repetidos, a falta de respeito e tato de certas pessoas, a vergonha de revelar a sua história na frente de todos, a impressão de não lhe darem crédito, provocam o que se chama de vitimização secundária. Cada vez que relata a violação, a mulher se sente de novo violada.

O apoio, material e psicológico, de organismos especializados na ajuda às vítimas de abusos sexuais, é precioso neste tipo de diligência, tanto mais que o julgamento pronunciado do culpado, na maioria das vezes clemente, parece decepcionante e injusto à vítima e reaviva a sua dor.

Se tiver o conhecimento de um caso de abuso sexual, a primeira coisa a fazer é afastar a vítima do agressor, a fim de evitar que este último recomece.

No caso específico de abuso sexual sobre menor, a segunda diligência é informar as autoridades competentes (serviços sociais e Conselho Tutelar).

A lei obriga a esta revelação, e deve-se, neste caso, quebrar o segredo profissional, senão se corre o risco de ser considerada pela lei como cúmplice. Esta denúncia visa a proteger a vítima e as outras vítimas potenciais, e a obrigar o culpado a parar as suas atuações.

As reações do abusador a sua revelação – Um recente Colóquio europeu sobre as violências sexuais estabeleceu que 82% dos abusadores não admitem a sua responsabilidade (53% negam totalmente os fatos). Só 18% dentre eles admitem os fatos, e ainda porque são obrigados após confrontação com as vítimas, e não sem a acusar de “te-lo provocado”.

Esta negação dos fatos permite-lhes perseverar na sua perversão, e por conseguinte, não se privar do seu gozo, que só conta para eles.

Quando não podem mais negar os fatos, admitem-no minimizando ou negando as consequências desastrosas sobre as vítimas, sobretudo se o abuso for isento de violência física. Se tiverem remorso ou se lamentarem, nunca será por seus crimes, mas por ter-se feito denunciar e pelo dever de parar.

Uma reação possível do culpado de abusos é a seguinte: ele suja e se alia. Suja as vítimas ou outras pessoas inocentes acusando-as do mal que ele mesmo comete; ao faze-lo alivia, assim, a sua culpabilidade. Além disso, alia-se com os que podem se tornar seus aliados e seus defensores (um pai incestuoso alia-se a sua mulher de modo que o deixe abusar da sua filha).

Um perverso que é revelado e que recusa se arrepender pode cair no pânico, na depressão, no álcool ou no suicídio; mais frequentemente endurece-se e continua de maneira mais intensa as suas práticas.

É extremamente raro que um delinquente sexual arrependa-se realmente, (no máximo exprimirá vagas “lamúrias”), mas é necessário sempre dar-lhe a ocasião.

Fonte: Claire et Jacques Poujol – http://www.relation-aide.com
Tradução: Mirian Giannella – http://apoioasvitimas.blogspot.com

O abuso sexual contra crianças é abominável.

É importante ficar atendo aos sinais que a criança nos dá e protegê-la.

Denuncie!

Como denunciar casos de violência sexual – É preciso romper com o pacto de silêncio que encobre as situações de abuso e exploração contra crianças e adolescentes. Não se pode ter medo de denunciar. Essa é a única forma de ajudar esses meninos e meninas.

Saiba a quem recorrer em caso de suspeita de violência sexual infanto-juvenil:

Conselhos Tutelares – Os Conselhos Tutelares foram criados para zelar pelo cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes. A eles cabe receber a notificação e analisar a procedência de cada caso, visitando as famílias. Se for confirmado o fato, o Conselho deve levar a situação ao conhecimento do Ministério Público.

Varas da Infância e da Juventude – Em município onde não há Conselhos Tutleares, as Varas da Infância e da Juventude podem receber as denúncias.
Outros órgãos que também estão preparados para ajudar são as Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente e as Delegacias da Mulher.

Ou disque 100
O serviço do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes é coordenado e executado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

Por meio do 100, o usuário pode denunciar violências contra crianças e adolescentes, colher informações acerca do paradeiro de crianças e adolescentes desaparecidos, tráfico de pessoas – independentemente da idade da vítima – e obter informações sobre os Conselhos Tutelares.

O serviço funciona diariamente de 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de defesa e responsabilização, conforme a competência, num prazo de 24h. A identidade do denunciante é mantida em absoluto sigilo.

Segue lista dos conselhos tutelares em Curitiba/PR:

Bairro Novo
Rua Lupionópolis, s/nº (próximo ao nº 860) Vila Tecnológica – Bairro Sítio Cercado
Fones: (41) 3289-1272 e 3564-7083
E-mail: ctbairronovo@fas.curitiba.pr.gov.br
Área de abrangência: Ganchinho, Sítio Cercado, Umbará

Boa Vista
Avenida Paraná, 3600 Rua da Cidadania Boa Vista – Bairro Bacacheri
Fones: 3313-5705 FAX (41) 3356-1001
E-mail: conselhotutelarbv@fas.curitiba.pr.gov.br
Área de abrangência: Abranches, Atuba, Bairro Alto, Boa Vista, Cachoeira, Pilarzinho, Santa Cândida, São Lourenço, Taboão, Tarumã, Tingui, Bacacheri, Barreirinha

Boqueirão
Rua Marechal Floriano Peixoto, 8430 Rua da Cidadania Boqueirão – Bairro Boqueirão
Fones: (41) 3276-6823 e 3276-0252
E-mail: conselhoboqueirao@fas.curitiba.pr.gov.br
Área de abrangência: Alto Boqueirão, Boqueirão, Hauer, Xaxim

Cajuru
Rua Roraima, 545 (esquina Rua Luiz França) – Bairro Cajuru
Fones: (41) 3267-7888 e 3266-9504
E-mail: ctutelarcajuru@fas.curitiba.pr.gov.br
Área de abrangência: Cajuru, Capão da Imbuia, Guabirotuba, Jardim das Américas, Uberaba

Cidade Industrial – CIC
Rua Manoel Valdomiro de Macedo, 2460 – Bairro Cidade Industrial
Fones: (41) 3347-1607 e 3347-2097
E-mail: ctcic@fas.curitiba.pr.gov.br
Área de abrangência: Augusta, Cidade Industrial, Riviera, São Miguel

Matriz
Rua Francisco Torres, 594 bairro Centro
Fones: (41) 3262-6124 3363-1735 3362-4995 3362-0181 3363-4488
E-mail: ctmatriz@fas.curitiba.pr.gov.br
Área de abrangência: Ahú, Alto da Glória, Alto da XV, Batel, Bigorrilho, Bom Retiro, Cabral, Capanema, Centro, Centro Cívico, Cristo Rei, Hugo Lange, Jardim Botânico, Jardim Social, Juvevê, Mercês, Prado Velho, Rebouças, São Francisco

Pinheirinho
Avenida Winston Churchill, 2033 Rua da Cidadania Pinheirinho – Bairro Capão Raso
Fones: (41) 3313-5462 e 3248-9268
E-mail: conselhopinheirinho@fas.curitiba.pr.gov.br
Área de abrangência: Campo do Santana, Capão Raso, Caximba, Pinheirinho, Tatuquara

Portão
Rua Carlos Klemtz, 1700 Rua da Cidadania Fazendinha – Bairro Fazendinha
Fones: (41) 3245-8096 e 3288-8251
E-mail: ctutelarportao@fas.curitiba.pr.gov.br
Área de abrangência: Água Verde, Fanny, Fazendinha, Guaíra, Lindóia, Novo Mundo, Parolin, Portão, Santa Quitéria, Vila Izabel

Santa Felicidade
Rua Santa Bertila Boscardin, 213 Rua da Cidadania Santa Felicidade – Bairro Santa Felicidade
Fones: (41) 3297-1498 e 3297-2821
E-mail: conselhotutelarsf@fas.curitiba.pr.gov.br
Área de abrangência: Butiatuvinha, Campina do Siqueira, Campo Comprido, Cascatinha, Lamenha Pequena, Mossunguê, Orleans, Santa Felicidade, Santo Inácio, São Braz, São João, Seminário, Vista Alegre

Vamos, cada um de nós, fazer a nossa parte!

Denise Mercer.

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