Complexo de Édipo

edipoComplexo de Édipo – O Complexo de Édipo é um fenômeno que pode ocorrer de três formas diferentes: na infância, na adolescência e na idade adulta.

Em cada um desses períodos o Complexo de Édipo se apresenta de uma determinada forma.

Vamos ao mito que o originou…

O MITO DE ÉDIPO REI

Na antiguidade, os gregos cultuavam uma série de deuses (Zeus, Hera, Afrodite, etc.) e semideuses, acreditando que os mesmos tinham forma humana. Por isso, a religião deles era conhecida como politeísta antropomórfica.

A distinção entre deuses e semideuses se dava através do fato de que os deuses eram imortais e provenientes da geração divina. Já os semideuses eram fruto da relação de um deus com uma mortal e não tinham a imortalidade.

Um mito clássico na História da Filosofia é o da tragédia [Gênero de teatro grego que retratava temas morais e religiosos] Édipo rei, que posteriormente, no século XIX, foi utilizado por Freud para falar do amor dos filhos para com os pais durante a infância. A história é seguinte:

Laio, rei da cidade de Tebas e casado com Jocasta, foi advertido pelo oráculo [Local destinado à consulta dos deuses na Grécia antiga. O oráculo mais famoso era o de Delfos, que foi consagrado ao deus Apolo] de que não poderia gerar filhos e, se esse mandamento fosse desobedecido, o mesmo seria morto pelo próprio filho, que se casaria com a mãe.

O rei de Tebas não acreditou e teve um filho com Jocasta. Depois, arrependeu-se do que havia feito e abandonou a criança numa montanha com os tornozelos furados para que ela morresse. A ferida que ficou no pé do menino é que deu origem ao no me Édipo, que significa pés inchados. O menino não morreu e foi encontrado por alguns pastores, que o levaram a Polibo, o rei de Corinto. Este que o criou como filho legítimo. Já adulto, Édipo também foi até o oráculo de Delfos para saber o seu destino. O oráculo disse que o seu destino era matar o pai e se casar com a mãe. Espantado, ele deixou Corinto e foi em direção a Tebas. No meio do caminho, encontrou com Laio que pediu para que ele abrisse caminho para passar. Édipo não atendeu ao pedido do rei e lutou com ele até matá-lo.

Sem saber que havia matado o próprio pai, Édipo prosseguiu sua viagem para Tebas. No caminho, encontrou-se com a Esfinge, um monstro metade leão, metade mulher, que atormentava o povo tebano, pois lançava enigmas e devorava quem não os decifrasse. O enigma proposto pela esfinge era o seguinte: Qual é o animal que de manhã tem quatro pés, dois ao meio dia e três à tarde? Ele disse que era o homem, pois na manhã da vida (infância) engatinha com pés e mãos, ao meio-dia (idade adulta) anda sobre dois pés e à tarde (velhice) precisa das duas pernas e de uma bengala. A Esfinge ficou furiosa por ter sido decifrada e se matou.

O povo de Tebas saudou Édipo como seu novo rei, e entregou-lhe Jocasta como esposa. Depois disso, uma violenta peste atingiu a cidade e Édipo foi consultar o oráculo, que respondeu que a peste não teria fim enquanto o assassino de Laio não fosse castigado. Ao longo das investigações, a verdade foi esclarecida e Édipo cegou-se e Jocasta enforcou-se.

O COMPLEXO DE ÉDIPO

No século XIX, Sigmund Freud fez uma reinterpretarão do mito de Édipo, denominada como o Complexo de Édipo. Segundo Freud, o Complexo de Édipo é um conjunto de desejos amorosos e hostis, que uma criança experimenta em relação aos seus pais. Em sua forma positiva, o complexo é semelhante à história do mito, ou seja, desejo da morte do rival que é a pessoa do mesmo sexo e desejo sexual pela personagem do sexo oposto. Em sua forma negativa, apresenta-se de forma inversa, ou seja, raiva do sexo oposto e amor pelo mesmo sexo.

De acordo com o pensamento freudiano, o Complexo de Édipo é vivido entre os três e os cinco anos e desempenha um papel fundamental na estruturação da personalidade e na orientação do desejo humano. Ele ainda ressalta a influenciado comportamento dos pais na vida da criança.

O complexo começa a se manifestar quando o menino começa a manifestar de forma exagerada a preferência pela mãe. O menino passa a desejar que a mãe exista somente para ele, torna-se ciumento em relação ao pai e faz tudo para eliminá-lo de sua convivência com a mãe. Ao mesmo tempo, ou posteriormente, sente-se culpado de uma falta grave, experimenta remorsos em relação ao pai. A mesma coisa acontece com a menina: ela passa a desejar o pai e a repelir a mãe. Nesse caso o nome que se dá ao complexo é o de Complexo de Electra.

O fato de que as crianças sejam capazes de ter sentimentos amorosos em relação a seus pais não constitui motivo de espanto para nós, pois já sabemos que as crianças têm vida sexual e o seu sexo não se manifesta de forma genital. Freud afirma, além disso, que o Complexo de Édipo não só é normal, como inclusive ele aparece e depois desaparece normalmente durante a infância. Com o simples passar do tempo o complexo vai se dissolvendo e surge em seu lugar um perfeito equilíbrio nas relações entre pais e filhos. Quando a evolução é normal, as coisas se passam mais ou menos da seguinte forma:

1) O menino se liga a sua mãe por meio dos cuidados, as atenções e os carinhos maternais. Com o tempo ele passa a querer sua mãe só para si: deseja possuí-la totalmente.
2) Depois ele descobre a importância do pai. Percebe que não é só ele que ama sua mãe. O pai também a ama e por isso torna-se seu rival.
3) O menino deseja casar com sua mãe, deseja possuí-la completamente só para si, sem interferência do pai.
4) Como ela já tem um marido, o menino deseja eliminar aquele rival importuno. Luta para conseguir isso, mas evidentemente não pode vencer o pai, pois esse é muito mais poderoso do que ele. O jeito que encontra para se vingar é o de tornar-se agressivo, cínico, desobediente entre outros.
5) Com o tempo, o menino muda sua maneira de amar. Em vez de querer a mãe só para si, ele passa daqui por diante a uma nova tendência: deseja proteger a mãe, tenta envolvê-la com o manto protetor contra o que possa vir contra ela. Não permite que ninguém a magoe.
6) Nessa fase, continua em competição com o pai, mas já agora admirando as qualidades do pai. Passa a imitá-lo, deseja igualar-se a ele e tornar-se mais importante do que ele. A essa altura, o menino já está “bancando o homenzinho”.
7) Ao ir se tornando adulto, o menino vai se tornando independente, vai se desligando pouco a pouco da mãe. Na medida em que sua personalidade viril vai se firmando, ele deixa de competir com o pai e começa a tratá-lo normalmente.
8) Como um adulto normal, ele passa a se interessar pelas outras mulheres. Um belo dia se casa normalmente, sem que o Complexo de Édipo tivesse deixado qualquer marca mais profunda em sua personalidade.

Em alguns casos é possível encontrar alguns dos elementos essenciais para uma teoria do narcisismo. São eles: a ideia do eu como objeto de amor, o postulado de uma identificação como base do narcisismo e, ainda, a relação desses com as escolhas amorosas.

Em psicanálise o narcisismo representa um modo particular de relação com a sexualidade, sendo um conceito crucial para a formação da teoria psicanalítica tal qual conhecemos hoje, em 1914, Freud lançou o livro Sobre a Introdução do Conceito de Narcisismo, neste livro Freud subdivide o narcisismo em duas fases:

• Narcisismo primário – é a fase autoerótica, o primeiro modo de satisfação da libido, onde as pulsões buscam satisfação no próprio corpo. Nesse período ainda não existe uma unidade do ego, nem uma diferenciação real do mundo.

• Narcisismo secundário – ocorre em dois momentos: o investimento objetal e o retorno desse investimento para o ego. Quando o bebê já consegue diferenciar seu próprio corpo do mundo externo ele identifica quais as suas necessidades e quem pode satisfazê-las, então concentra em um objeto suas pulsões parciais, geralmente na mãe.

O narcisismo não é apenas uma condição patológica, mas também um protetor do psiquísmo. Um narcisismo “que promove a constituição de uma imagem de si unificada, perfeita, cumprida e inteira”. Ultrapassa o autoerotismo para fornecer a integração de uma figura positiva e diferenciada do outro.

Em outros casos, o rapaz pode se tornar um tipo submisso e acovardado, que experimenta sempre a necessidade de sentir-se inferior aos demais. De modo geral, o adulto tende a ver uma reprodução de seu pai em todos os homens com quem entra em relação. Encara todos os superiores como se fosse o próprio pai. Como continua experimentando o sentimento de culpa procura obter as boas graças do chefe, do professor, do patrão, das autoridades em geral. Ele faz tudo para ser agradável porque necessita, mais do que qualquer pessoa normal, de se sentir aprovado pelos outros, de conquistar a simpatia e a indulgência dos outros.

O menino que ama sua mãe percebe rapidamente que ela não pertence exclusivamente a ele, pois ela pertence também a seu pai. Tal fato pode marcar profundamente a personalidade da criança e isso acontece quando em seu espírito se instala a ideia de que o amor é sempre assim. Ele passa a achar que a disputa do objeto amado é essencial para haver amor: o fato de ter que disputar sua mãe contra seu pai se converte para ele numa fonte de excitação e prazer.

Às vezes pode ocorrer, por algum motivo determinados fatores que impedem esse desenvolvimento normal, aí as consequências podem ser bastante dolorosas. Dependendo do caso, o Complexo pode estragar completamente a vida do adulto, como: Os homens que não conseguem vencê-lo tornam-se frequentemente afeminados, acovardados e medrosos; as mulheres adquirem uma virilidade excessiva e prejudicial. Homens e mulheres tornam-se impotentes e frios, demonstrando grande timidez sexual. Experimentam sentimentos de inferioridade e o medo permanente de não serem aprovados nas coisas que fazem. Sentem-se culpados por atos que não realizaram sem que haja motivo algum para isso. Tornam-se excessivamente agressivos ou, ao contrário, sentem-se desarmados diante da vida. Frequentemente, o complexo de Édipo provoca a homossexualidade, masculina ou feminina.

Quando o Complexo de Édipo não é eliminado normalmente durante a infância é de esperar que ele continue a atuar nas idades posteriores e venha a se manifestar sob a forma de vários sintomas durante a vida adulta.

As tendências libidinais pertencentes ao complexo de Édipo são em parte dessexualizadas e sublimadas (o que provavelmente acontece com toda a transformação em uma identificação) e em parte são inibidas em seu objetivo e transformadas em impulsos de afeição.

Caracterizado pelo escolha que o indivíduo deve fazer, perante o conflito entre as exigências impostas por forças exógenas (família, sociedade, religião, leis, etc…), de continência ao prazer individal, e o desejo do indivíduo pelo prazer sem limites; o Édipo mal resolvido pode ser fonte de angustias, neuroses, perversões e outras formas de distúrbios psíquicos e de comportamento.

Creio que a saída saudável para o Édipo é o indivíduo, ao se tornar adulto, entender que as regras (forças exógenas) não tem carater onipotente; ou seja: as regras são referenciais feitas pelos homens (seres humanos ADULTOS) para a manutenção do convívio social e podem (e devem) ser negociadas entre os membros de uma mesma sociedade. Ao tomar o seu lugar na sociedade, como ser humano adulto, a ex-criança, agora adulta, se torna também PAI (inclusive no sentido biológico), emanador das regras negociadas com seus iguais.

Importante amadurecer. Ser feliz!

Um abraço, Denise Mercer.

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