La invitacion

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“La Invitación” por Oriah Mountain Dreamer Indian Elder

No me interesa saber lo que haces para vivir.

Quiero saber cuál es tu dolor y si estás dispuesto a soñar para encontrar el anhelo de tu corazón.

No me interesa saber que edad tienes.

Quiero saber si arriesgarás parecer un tonto, por amor, por tus sueños, por la aventura de estar vivo.

No me interesa saber que planetas circundan tu luna.

Quiero saber si has tocado el centro de tu propia tristeza, si has estado abierto a las traiciones de la vida o si te has vuelto marchito y cerrado por miedo a mas dolor!

Quiero saber si te puedes sentar con el dolor, tuyo o mío, sin moverte para esconderlo, disminuirlo o arreglarlo.

Quiero saber si puedes estar con la alegría, tuya o mía y si puedes bailar libremente y dejar que el éxtasis te llene desde las puntas de los dedos de tus manos y hasta los pies, sin advertirnos ser cuidadosos, o realistas o recordar las limitaciones de ser humano.

No me interesa si la historia que me cuentas es cierta,

Quiero saber si puedes desilusionar a otros por ser sincero contigo mismo; si puedes soportar la acusación de la traición, sin traicionar tu propia alma.

Quiero saber si puedes ser fiel y por lo tanto ser digno de confianza.

Quiero saber si puedes ver la belleza, aún cuando cada día no sea hermoso y si puedes nutrir tu vida desde la presencia de Dios como fuente.

Quiero saber si puedes vivir el fracaso, tuyo o mío, Y aún así, pararte en la orilla de un lago y gritarle a la luna plateada….. “Sí”.

No me interesa saber dónde vives, o cuánto dinero tienes.

Quiero saber si te puedes levantar después de una noche de dolor y desesperación, abatido hasta los huesos, y hacer lo que necesita ser hecho para los niños.

No me interesa saber quién eres, o cómo llegaste aquí.

Quiero saber si te puedes parar conmigo en el centro Del fuego y no retrocederás.

No me interesa dónde, qué, o con quién has estudiado.

Quiero saber si te sostienes desde adentro cuando todo se cae a tu alrededor.

Quiero saber si puedes estar solo contigo mismo.

Y si verdaderamente disfrutas la compañía que mantienes en tus momentos vacíos.

 

Abraços, Denise Mercer.

                                    

Amor

O poema sobre o amor

É no capítulo 13 da epístola que Paulo fala grandiosamente sobre o amor (em grego ágape) que, em algumas traduções, aparece com o vocábulo caridade.

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria.

O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade.

Tudo tolera, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.

O Amor nunca falha.

Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor.

“Ser profundamente amado por alguém nos dá força; amar alguém profundamente nos dá coragem.” (Lao-Tse)

Carta (Carlos Drummond de Andrade)

Há muito tempo, sim, não te escrevo.

Ficaram velhas todas as notícias.

Eu mesmo envelhecí: olha em relevo estes sinais em mim, não das carícias (tão leves) que fazias no meu rosto: são golpes, são espinhos, são lembranças da vida a teu menino, que a sol-posto perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto à hora de dormir, quando dizias “Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É quando, ao despertar, revejo a um canto a noite acumulada de meus dias, e sinto que estou vivo, e que não sonho.

 

Saudades

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.

Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades…

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei…

Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser…

Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro…

Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser…

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei! De quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências…

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que…  não sei onde… para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi…

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês… mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente quando estamos desesperados… para contar dinheiro… fazer amor… declarar sentimentos fortes… seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples “I miss you” ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades…  Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis! De que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência…

Clarice Lispector

Lua adversa (Cecília Meireles)

 

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

“Vinicius de Morais”

“Fala-nos das doações”

 E ele respondeu:

“Vós pouco dais quando dais de vossas posses.

Apenas quando doais de vós próprios é que dais, realmente.

Pois, o que são vossas posses senão coisas que guardais por medo de precisardes delas amanhã?

E o amanhã, o que traz o amanhã ao cão prevenido, que enterra ossos a esmo nas areias enquanto segue os peregrinos a caminho da cidade sagrada?

E o que é o medo da necessidade senão a própria necessidade?

Não seria o temor da sede, quando vosso poço está cheio, a sede insaciável?

Há os que dão pouco do muito que têm –  e fazem-no em troca de reconhecimento e seu desejo oculto desmerece suas dádivas.

E há os que pouco têm e tudo dão.

São aqueles que acreditam na vida e na sua generosidade, e seus alforjes nunca estão vazios.

Há os que dão de bom grado, e essa alegria é sua recompensa.

E há os que dão com pena, e essa pena é seu batismo.

E há os que dão e não sentem pena ao fazê-lo, tampouco buscam alegria, ou virtude;

Dão como a murta do vale exala seu aroma no ar.

Através de suas mãos, Deus fala; e, em seus olhos,  Ele sorri para o mundo.

É bom dar quando solicitado, mas é melhor dar quando se compreende aquilo que não foi solicitado;

E, para os generosos, procurar por alguém disposto a receber é alegria maior do que a própria doação.

Existirá algo que vós não deveis dar?

Tudo o que possuís algum dia será dado;

Portanto, dai agora, para que a época da dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros.

Dizeis muitas vezes: ‘Eu daria, mas apenas a quem merece’.

As arvores em vossos jardins não dizem tal coisa, tampouco os rebanhos em vossos pastos.

Dão para que possam viver, pois guardar significa perecer.

Pois quem merece receber seus dias e suas noites é também digno de tudo que vem de vós.

E aquele que mereceu beber no oceano da vida merece encher seu cálice em vosso pequeno riacho.

E que mérito maior haverá além da coragem e confiança, mais ainda, da caridade de receber?

E quem sois vós a quem os homens precisem abrir seu íntimo e desnudar seu orgulho a fim de que possais enxergar seu mérito revelado e seu amor-próprio destemido?

Cuidai, primeiramente, para que mereçais doar e ser da doação um instrumento.

Pois na verdade é a vida que dá a vida – enquanto vós, que vos considerais doadores, sois meras testemunhas.

E aqueles que recebeis – e vós todos recebeis -,  não tomai para si o ônus da gratidão, pois estareis subjugando a vós próprios e ao doador.

Procurai, sim, elevar-se com ele em suas dádivas como se tivésseis asas;

Pois se ficardes demasiadamente preocupados com vossas dívidas, estareis duvidando da generosidade daquele que tem a terra pródiga por mãe e Deus por pai.”

Do livro: O profeta – Kahlil Gibran